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Para Luck
Numa pele, num pelo, numa palavra perdura o amor No que era apenas uma boca no infinito dos desejos, um corpo, uma cor, fios crespos de cabelo, perdura o amor No amor se transmutam e perduram palavras, ações, cheiros, dia-dia, cotidiano A palavra amor, ao contrário das coisas tangíveis,  não se desgasta


Assim como na fonte perduram as pedras e o adormecimento da terra Assim como na terra perduram as núpcias do céu e da terra Assim como no vinho perduram a fé, o temor, as núpcias e o amor dos loucos e febris Assim como na jarra que abriga o vinho e a água perduram a fruta, o céu e a terra...
No amor perdura a paz, a desordem, a dor, a alegria, o encanto, o desencanto, a desilusão, a ilusão
O amor integra num só golpe a terra e o céu, os divinos e os mortais junto a si. O amor integra e perdura numa pele, num pelo, numa palavra O amor integra e perdura no que era apenas uma boca no infinito dos desejos, um corpo, uma cor, fios crespos de cabelo O amor se transmuta e perdura em…
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Para Luck VL Ela tinha o corpo todo tatuado por mapas Tinha o mundo no corpo. Ele era via-láctea, imensidão cósmica. Ambos eram universos a serem percorridos. No prazer somos fendas, cheiros, secreções, gotas,
palavras desconcertantes. Ninguém sabe do prazer daqueles que se tocam, que abrem e mergulham em fendas escuras e porosas que sentem cheiros que dizem e gotejam.
O prazer é o maior segredo dos amantes.
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PARA LUCK VL MÁXIMA MAGIA
Madrugada, máxima magia. Me muto. Mulher, menina, me mostro: manga, madura, melada, macia. Me morde. Medo, malícia, mergulho, mistério, mistura. Me mata. Man? Menino? Muleke milgrau: manobra magrela. Muleke milgrau: marcha à margem. Mistura música, menino, menina. Movimento musical move a mudança. Me morde. Mamilo me mostra. Mistura malícia, maldade, madrugada. Magnetismo move o magma. Mímese, mistura. Madrugada – maremoto. Manhã – maresia.
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Da ausência

Se você viesse todos os dias os amanheceres não teriam a cor da frescura e da ausência. Porque a ausência pode ser cintilantemente colorida e cítrica. Não haveria o desejo que repousa nas ausências verde-claras e aveludadas. Sim, porque a ausência pode ser tocada, ouvida e cheirada. Não haveria a lembrança do murmurar da respiração, do calor, do toque, das palavras. Não haveria meu canto nem o som das folhas que voam livres ou a percepção da poeira no vento e os pássaros no céu. Não haveria a borboleta que desabrocha nem a erva daninha que brota da fenda do muro. Não venhas sempre. Tua ausência-alimento-poesia é sábia.
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Guardar cada coisinha.
Embrulhar, separar, limpar.
Rever fotos, fazer copias, mandar pros amigos.
Dobrar as roupas, colocar em caixas, numerar, etiquetar, nomear.
Ir guardando e lembrando onde, como e quando comprou.
Ver as peças que estão quebradas. Guardar até os pedacinhos. Na rearrumação, colar. Lembrar de histórias que se quebraram, que se perderam, que começaram, que se reformaram... Histórias pequenas, de uma página, histórias longas, histórias em quadrinhos, tirinhas, pequenos contos, crônicas, livros inteiros, histórias sem fim, sem pé nem cabeça.
Recordar algumas histórias, alguns amores, amizades. Lembrar daquelas coisas nunca realizadas e das surpresas do caminho.
Uma nostalgia de cada coisa.
Cada coisa, por menor que seja, leva uma lembrança.
Presentear com aquilo que não se quer mais, mas que por muito tempo guardamos afeto.
Mudar.
Alguns perguntam: nossa, mas como você tem coragem? Você gosta?
Sim, eu gosto.
É uma forma de acariciar a si e à memória.
É uma form…
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água-luz situação-impregnação imersão-harmonia vida-movimento vida-luz
fusão
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Sobre cinema, escola, garças e macarrão com feijão Baixada Fluminense, mais precisamente São João do Miriti. No CIEP José Lins do Rego (Brizolão), alunos andam pelos corredores da escola com suas telas pintadas, professor me conta a experiência com Cinema na escola: filme feito pelos estudantes que participou de Mostra de curtas, o cineclube organizado por ele que se chama... "cineclube!". Almoço marcarão parafuso com carne moída e feijão preto // na escola//. Na rua próxima à estação do metrô Pavuna, frenesi. Muita gente se mistura às bicicletas, ônibus, motos, à agua que escorre próxima às calçadas e às barracas onde se encontra de tudo: lingeries, doces, ovos, peixe, frutas, verduras, roupa infantil, caranguejos, parafusos, capas para celular, fones de ouvido. Compro uma imagem de São Jorge e incensos Vencedor de demanda e Dama da noite na loja de artigos religiosos. Na feira compro uva sem semente e morangos. Peço pra tirar fotos. Vendedor diz: "depende, pra que?&qu…