ODE METAFÓRICA A UM AMOR LITERAL
Plena por sentir que tua presença não apenas me completa, mas estende meu lado mulher-água, fluida, correnteza, mulher-rocha, sólida-porosa, hieróglifo de beleza, mulher-pássaro em envergadura de asas que sobrevoa falésias. Em teu falo-rijo-teu, homem grave, grito aguda de prazer na carne, fenda felpuda-quente, perfumada de amêndoas delicadamente sob a água do chuveiro, trazeiro-potra arrebitado sobre a mesa. Querência de ser mulher-flor, aberta em exalante cheiro de amor, cheiro secreto, inundante, mel no pólen, mel sugado por você, mel na ponta dos dedos a desenhar no corpo mais flores, mais pássaros, mais cheiros. Eu mulher-mel, você homem-inseto da língua doce a espalhar polén-mel pelo corpo meu. Homem-gigante, homem-cavalo sobre mim mulher-sereia, homem-relincho insano, me faz mulher rainha, dançarina de pés descalços. Alho, hortelã, alecrim, pimenta, tudo picado sobre a mesa, ponta dos dedos ardendo, ardor na mucosa vaginal, prazer febril-quente. Eu mulher-montanha, mãe da terra, mãe do mundo, gaia de lança em punho, corajosa amazona, nua e bela, ofereço-te meu seio, não como mãe, mas como mulher-montanha-gaia galopante e aguda, pequenos picos onde habitam vulcões que ardem, lava quente do fundo-meu brotando para ser sorvida. Lava incolor, lava invisível, lava multiforme, porém, lava-viva como eu mulher-montanha-gaia, inundada em prazer adormecido-latente-pulsante, alimento invisível, jorro quente do centro da terra-gaia-mulher. Eu, amazona nua galopante, te ofereço meu seio não como mãe, mas para que descanses teus cabelos, para que repouse tua face, inspire perfume meu de terra úmida, enquanto eu, secreta e insana, planejo o momento em que te sugarei espesso e quente, como se enchesse as mãos com água do mar e bebesse num só gole e não sentisse sede nem necessidade de explicações.
(Estrada de Rio Claro para São Carlos. 5 de Agosto, de 2013)

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