Neste exato momento sinto-me ungida pela luz da lua, das estrelas, da beleza que emana de mim e que me parte toda em pedaços irregulares e me compõe em estilhaços de loucura e calma. Loucura que é bela porque empurra para um abismo de perguntas que não querem respostas. Quero ser somente. Ser em plenitude, sem perguntar porque. O porque dói e agora eu não quero dor. Quero só gozo. Nesse exato momento percebo de sobressalto a beleza do estranhamento (há alguns minutos atrás me encontrava em desespero, em sentimentos de inércia) e a loucura da busca, da perda, do encontrar-se na perda. A beleza da busca. O não saber-se busca. O encontro de si no diferente. O desencontro eterno. O não-saber de mim vem da escuridão das trevas que me ligam ao mundo. Minhas desequilibradas palavras. Luxo meu. Tirar sumo de fruta dos instantes. Conceber os instantes como sementes vivas. Aprendizagem. Digo eu porque não ouso dizer tu, vós, eles. Digo eu, mesmo sabendo que sou tudo isso: tu, vós, eles, ustede...