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As flores e a Náusea Um dia cheguei num campo repleto de flores, Mas a náusea estava por toda a parte Havia alegria e esperança em mim As flores me alegravam Me enfeitavam Me animavam Mas a náusea e seu cheiro eram tão fortes que fui me curvando, me desanimando, me embriagando Eu que antes era nuvem, árvore, pássaro Fui virando coisa indefinida, maltratada por minhas dores, coisa cansada, inanimada As flores continuavam lá Alegres Vivas Como conseguiam sobreviver? Eram tão frágeis Mas como eram fortes Eram mais fortes que tudo Suportavam a dor, a fome, a doença Mesmo em face do maior descuido: sobreviviam As vezes eu ia lá e regava As vezes eu ia lá e pisava Eu chorava de alegria e dor Eu me arrependia Eu me retratava com carinhos às flores E elas sempre estavam lá Sorrindo pra mim Eu percebia que se eu regava elas tornavam-se cada vez mais belas e vivas e prestimosas Mas quando eu descuidava e as esquecia elas murchavam, elas se tornavam más Gritei palavras de ordem Protestei...